13.7.09

Dia 14 - Ai

Quase uma twittada. Passei o domingo inteiro no telefone com a Índia (contei pra eles que no Brasil tem novela com personagens indianos - rerrê) tentando resolver o problema do meu laptop que congelava toda hora. Hoje, segunda, quase 10 e meia da noite, finalmente deu certo. Estou testando Chrome pra ver qualé. Sonhei, lógico, a noite inteira de ontem com problemas de computador. Comigo instalando isso ou aquilo ou sei lá o quê. Outro dia sonhei com meu amigo Allan, que tinha vindo me visitar porque eu estava precisando da ajuda dele. O Allan está em algum lugar da Europa, Luxemburgo, acho. Faz anos que não falo com ele. Teve uma época que ele escrevia como colaborador do blogue. Ainda preciso salvar meu blogue antigo, mas tudo é motivo pra não começar. Por exemplo, agora, vou tomar banho. Até pensei em pular, sabe?, mas minha consciência não permitiu porque amanhã é dia de ir na imigração. Fui à escola de espanhol e a moça dona da escola acho que eu fosse por demais avançada na língua e eu tive que discordar. Hoje meu tchefe passou apuro porque o espanhol dele não dá nem pro gasto e perguntou quanto seria pra ele ir à mesma escola. Quando eu disse o preço, vi que ele desistiu um pouquinho. Mais uma vez o meu espanhol que ele chama de fraco salvou a reunião com o cliente (que falava rápido que era uma coisa louca -- eu deixo falar, saber? Quer falar? Fala. Depois vai ter que repetir, porque eu vou começar a fazer pergunta pra conseguir entender a história toda). Que mais? Mais nada. Banho. E aqui termina o post mais inútil da internet. Câmbio. 

10.7.09

Dia 13, sexta-feira: Joguinhos e selvagens

Sexta, meu dia 13. Mas eu não ligo porque, inclusive, 13 é meu número preferido. E, se eu correr e não tiver nada pra fazer hoje ou chegar em casa disposta, ainda dá pra alcançar o post do dia 14 do pacto que o Rafa quebrou faz tempo. Porque ele é ocupado e eu sou ociosa. É a verdade dos fatos. :(

Aí na barrinha da direita, praquelas pessoas que ainda chegam ao blogue de fato e não só leem pelo Reader, tem uma caixinha que mostra os livros que eu estou lendo. Se quiser, tem uma lista, bem incompleta, do que eu li nesses últimos anos. Não escrevo críticas lá, mas se você se interessar por algum livro, pode me perguntar e eu te falo o que eu achei. 

Como eu sou do contra, eu não achei Ender's Game essa coca-cola toda. Eu li, até o fim, até fiquei viciadinha. Pra falar a verdade, eu até gostei do livro. Mas não achei genial. Gostei o suficiente pra continuar lendo os outros livros da série (acho que parei no terceiro) e acabei mudando de opinião sobre tudo. No primeiro livro, lançado no Brasil como O Jogo do Exterminador, pela Devir Livraria, Andrew é um menininho gênio que é separado da família para ser treinado para lutar lutinhas intergaláticas e salvar os humanos da ameaça de um povo alienígena insetóide. Em busca da pessoa mais gênia e com melhor personalidade para as lutinhas, o governo permite o nascimento do Andrew, o terceiro na fila de 3 filhos, todos supertodotados, e quando ele cresce, lá se vai ficar sozinho, sem amigos, amor, blablá, numa escolinha estilo militar. Os personagens são interessantes e você fica com dó, com medo, com aflição, com tudo. Bem escrito, sabe? Aí, você pensa, que historinha bacana. Né? Eu também pensei. Mas o autor do livro é mórmon e, a meu ver, não perdeu a oportunidade pra dar uma doutrinada religiosa legal. Não por ser mórmon, por ser religioso, que não se confunda uma coisa com outra, pra ninguém vir me dizer que eu estou de preconceito com esta uma religião/filosofia religiosa específica.

Nessa primeira história, ter religião não é uma boa. Quem tem é perseguido. E eu fiquei: Rummmmm. Nos livros seguintes, começando por O Orador dos Mortos, a história começa a explorar e debater o tema do relacionamento entre culturas e povos diferentes. Pra mim, do jeito que eu li o livro, a mensagem geral, que eu acho que deve também ser a opinião do autor*, é a de defesa de que missões religiosas são superbacanas e que os povos recebendo os missionários meio que desejam esse conhecimento alienígena (no sentido de ser de fora, não no sentido de ET) para o seu melhoramento. Aí me deu bode. Cada um com seu cada um. Acho que religião, no geral, pode ser benéfica, no sentido do sujeito querer fazer o seu melhor  e ser uma boa pessoa e acreditar que tem uma ajuda espiritual pra isso. Mas, no geral também, o pessoal é muito burro e vira bitolado e extremista e esquece os princípios básicos que eu acho que todas as religiões/filosofias religiosas têm em comum: amor e respeito ao próximo. Detesto pregação. Detesto gente que bate na sua porta querendo te salvar do fogo eterno e, sobretudo, de quem anda por aí com pedra na mão e não vê o cisco no próprio olho. Não gosto de quem tente me converter. Fiquei super de bico com essa coisa de meter religião, desse jeito, nos livrinhos de ficção científica.  Olha, não é que o livro passe essa mensagem da pedra na mão e tal e coisa. Não. Isso é minha pendenga com religião no mundo em geral. Os personagens são bem humanos e têm esse conflito: o que fazer pra ajudar o outro povo, até onde pode ir a interferência? Esse outro povo é "selvagem" ou não? Um tema bem instigante. Mas aí, tarde demais, me deu birra filosófica e parei de ler no terceiro livro da série. Mãs, você, pessoa inteligente, poderá tirar suas próprias conclusões. Já vi que tem os dois primeiros livros, em português, disponíveis no 4shared.

* OSC esteve no Brasil em missão religiosa. Inclusive, ele tenta usar um pouco do português que ele aprendeu, mas dá pra ver que ele esqueceu e que aprendeu português luso e aí eu já fiquei de birra. Se é pra fazer coisa assim, acho que pelo menos deve-se ter o cuidado de pedir a um tradutor ou falante de português que revise a coisa.

9.7.09

Dia 12 - Tô roubando no pacto, mas olha que receita legal

Essa a Palmirinha não conhece. Minha mãe faz sempre e a única coisa que eu faço de diferente acho que é deixar raiz de lotus de fora. Não sei como chama, eu chamo de cozidão japonês de inhame. Porque eu sou muito criativa. Olha que facinho.
 
Numa panelona, coloca água suficiente pra cobrir o tanto de inhame que você quiser cozinhar e tomates cortados em pedaços grandes.
Ioney, eu sou muito sem noçã, o que é inhame? Inhame é tipo uma batatinha peludinha que, segundo a minha mãe,  faz bem pro sangue. Quando descascadas e cruas, elas são branquelas e meio pegajosas, mas depois de cozidas são as coisinhas mais macias que já habitaram suas panelas. A gente descasca tudo e lava e se forem grandes, a gente corta em pedaços menores porque daí demora menos pra cozinhar.
Aí você coloca:
 
  
Hondashi, kombu e tofu age.


Mas Ioney, eu não sou japa que nem você, que ser? Comofas? Ioney, preciso que você seja minha guia no mundo misterioso da comida japonesa que não seja sushi/sashimi e ilumine meu caminho em busca de impressionar as visitas. Tá bom, flor do dia, eu explico. 
Que ser?
  1. Hondashi é um pozinho de peixe pra gente colocar em caldos de cozidos e sopas.  
  2. Kombu é esse tipo de alga desidratada que a gente cozinha. Não é pra comer crua que nem nori.
  3. E tofu age é tofu frito.
 Comofas?

Eu não tenho medida pra nada disso. Ai, Ioney, mas aí fica muito difícil, como eu vou saber?

  1. Hondashi. Vai saber porque você vai começar colocando pouco pozinho, vai experimentar, sem nojo, porque não rola cozinheiro ter nojinho de comida e vai ver se o gosto de peixe tá bom pra você ou ou se quer um gosto mais forte.Aí vai ajustando.
  2. O kombu eu corto em tirinhas mais ou menos finas (mais grossas que um dedo, mas não mais grossas que dois e do comprimento aproximado do meu dedo médio).  Tem gente que reidrata antes de cozinhar. Eu não. Só corto e taco na panela. Tem gente que ãããma: o/ EUEUEUEU! Então eu taco mesmo. Montes. Só cuidado porque elas vão dãr uma crescidinha. Se puser quilos, não rola porque vai ficar aquele cozidão de alga. Mas, Ioney, essa receita tá muito assim por cima, comofas? Faz assim: tenta fazer como eu faço. Eu tento uma vez e ajusto a receita pra próxima.
  3. Tofu age pode vir em forma de cubinhos ou de bolachinhas, que nem da foto. Aí eu corto em pedaços que minha boca conseguirá conter em uma garfada e coloco por último, quando os inhames estiverem quase cozidos.
Resumindo, na ordem: inhames, tomates, água para cobrir os inhames. Shoyu (não sei se todomundo chama de shoyu,  é molho de soja) pra salgar e dar cor (experimenta pra ver se está a gosto). Hondashi. Kombu. Aí põe a coisa pra borbulhar, com tampa fechada. Quando ferver, abre a tampa e abaixa o fogo e coloca o tof age. Né muito simplinho? Também não sei o tempo de cozimento. Inhame é mais molinho que batata e não demora muito. Vou dizer aí... mais ou menos meia hora? Mas Ioney, eu fico meio assim porque, sabe, Ioney, essa receita tá com instruções muito vagas. Olha, eu te explico: quando você espetar o garfo no inhame e ver que está molinho, mas sem desfazer, está pronto. Pra acompanhar, faço gohan (arroz).

Onde tem essa coisarada? Inhame é fácil de achar. O resto dos ingredientes tem em qualquer mercado japonês.

Dia 11 - Ãin

Pulei dois dias, né, de pacto blogueiro. Ontem fiquei em casa, doente, mais da cabeça que com gripe e, juro por JC que hoje eu quase, quase!, mandei torpedo pro tchefe de novo dizendo que não vinha. Mas não posso. Tenho que guardar uns dias de folga pra quando eu estiver à beira de um ataque de nervos. Liguei pra minha mãe no meio da tarde e a gente conversou aqueles papos que me fazem sentir que eu estou lá: o que ela fez de comida, o que a Cuca fez de bonitinho. Achei uma escola de espanhol aqui perto do silviço que oferece aulas particulares. Acho que vou ligar e tentar ir lá amanhã pra ver qual é. É mais caro que esse mocinho de agora, mas se eles forem treinados, melhor, né? É melhor. Mesmo que saia do meu bolso. Marquei cabeleireira pra quarta que vem, porque pra antes só tinha horário de dondoca, e tem que ser com essa uma moça, porque ela pelo menos não me faz chorar. Estou que pareço a cruza de John nos anos 60 com Yoko. Vou ter que ir lá no compromisso de fota e pintar dedinhos da imigração com essa peruca. Muito viciada em jogar Bejeweled, já até percebi que não é muito saudável. Horas! Horas! gastas com esse joguinho só pra ganhar uma medalha de 100K, quando eu podia estar assistindo novela -- Ivone ficou tão feiosa com esse cabelo novo -- ou lendo livrinho em que Benjamin Franklin é aprendiz de Newton e uma catástrofe acontece na Europa.

6.7.09

Dia 10 - Tá difícil

Já pintou o verão, calor no coração, todo mundo saindo de férias (a gente aqui não) e os professores de espanhol foram para não sei onde, provavelmente pra praia também. Aí meu professor veio semana passada...


[olha, até eu estou cansada de contar história do professor, 
mas estou sem assunto e ninguém me sugere nada e eu não sou criativa]


... e trouxe umas coisas que ele traduziu pra mim, daquele material que eu imprimi. O plano era me entregar a tradução pra eu ler em casa e seguir em frente com milhões de expressões que pedem subjuntivo, quando eu tinha pedido pelamordedeus pra treinar verbos irregulares no presente e no passado aplicados às situações da minha vida. Eu não sei qual é a dele. Pra mim é um pouco óbvio que eu tenho que aprender a responder as perguntas que eu estou fazendo, porque eu tenho que entender o que os clientes estão dizendo. Gastamos 5 segundos preenchendo a folhinha com o desenhinho bonito do corpo humano. Nem completei os outros. Aí fomos interrompidos por uma ligação da mãe dele. E ele me contou a história mais triste sobre o irmão dele, que está preso no país dele (acho que é El Salvador, ele me falou rapidinho no primeiro dia, mas eu esqueci) e, portanto, meu professor, que é estudante, tem que juntar dinheiro pra pagar o advogado do irmão, que está lá mofandinho já faz um mês na cadeia. Sem nenhuma prova contra ele. Só uma papagaiada louca da irmã da vítima. Tô procurando outros professores, mas me sentindo a pior pessoa do mundo, com o coração mais peludo. Essa semana ele não vem, mas fico muito tentada a dizer que eu tenho aula mesmo assim e sumir por uma hora antes de dar a hora de eu ir pra casa porque eu realmente estou muito, muito, muito de saco cheio daqui. A voz do tiozão arrogante que grita e conta vantagem me irrita muito, essa piiiiiiiiiiiii desse rádio com a meia dúzia de músicas todos os dias, a falta de responsabilidade do meu tchefe. Mas, né, guento as pontas, e tendo pensar nos prós. Pelo menos eu tenho emprego, pelo menos meu tchefe não é um escroto, pelo menos devo poder ir pro Brasil de novo logo, pelo menos o próximo feriado é em setembro e vai ser prolongado. É assim que eu vivo agora. Contando os minutos pra ir pra casa, com as horas mais arrastadas pra chegar o finde.

2.7.09

Detesto

quando eu mando publicar o que eu escrevi, aí chega no Reader e eu vejo que tem coisa errada. Não adianta mais corrigir aqui, já foi errado pra toodo mundo que lê no Reader. Parece que eu sou duplamente mocoronga.

Dia 9 - Mais mimimi sobre o professor de espanhol

Olha, no geral, segundo minhas observações aqui, ser professor particular é bico. O sujeito fala uma língua e tenta ganhar uns trocados dando aula. Nessas últimas semanas, tenho procurado os anúncios nos classificados online daqui, onde todo mundo anuncia (e, quem sabe, acha) de um tudo. De, digamos, 10 anúncios para aulas de espanhol, uns 7 eram para ter aulas pelo computador. Nada contra. Pode funcionar, mas exige um super planejamento, como eu mesma percebi quando tentei fazer o mesmo (ou melhor, quando tentei dar aulas à distância). Os outros 3 anúncios são de uma pessoa que fez espanhol na faculdade e outros 2 de falantes nativos que se arriscam a falar um pouco sobre a metodologia que vão usar.Aí tem que ser meio a olho mesmo. Contar com a sorte.

Quando eu encontrei esse professor pra ele me falar sobre as aulas, eu já vi que não era essa coca-cola toda. Eu perguntei sobre o método e ele me disse que era o da Ber_li_tz, mas não conseguia me diziar exatamente o que método era esse. Ele me disse que faz 5 anos que está dando aulas lá e que, pra falar a verdade verdadeira, ele só sabe dar aula assim porque foi o único treinamento que ele recebeu. Aí perguntei se ele tinha o material pra eu ver como era, e ele tinha, mas não tinha voluntariamente tirado da mochila pra mostrar pra mim. Aí eu folheei um pouco livro, vi que tinha um monte de transcrição de diálogos e nada do carinha me explicar mais sobre. Perguntei sobre lição de casa e ele disse o óbvio, que seria bom se eu estudasse em casa e que ele me ajudaria com dúvidas. Que eu tinha que fazer 3 horas por semana, no mínimo. E como você vai avaliar como está o meu espanhol? Pra saber mais ou menos o nível? Conversamos em espanhol por uns 5-6 minutos e ele disse que meu espanhol estava ótimo. Expliquei pra ele meus objetivos, com o que trabalho, que tipo de pessoa me procura e tchau. Um pouco superficial talvez? Tudo isso? Já comecei a me perguntar.

Aí vai. Porque o menino mais lindo do mundo me acha negativa e que eu pego no pé de professores, resolvi fazer 2 horas por semana e pagar 4 aulas up front. Mandei um e-mail pro profe, a pedido, dizendo o que eu queria aprender: mandei uns linques pra uns arquivos com um monte de perguntas que o demandante tem que responder quando processa pessoinhas depois de um acidente de carro. Expliquei que  minha necessidade mais imediata é aprender palavras aplicáveis a acidentes de carro e vocabulário médico. Gostaria de revisar verbos irregulares no presente e passado. Ele me responde que não consegui abrir os arquivos e se eu não posso imprimir pra eles. Respondi, meio já de má vontade, que tudo bem, vou imprimir, mas baixei os arquivos e estou te mandando. Aí ele me aparece na aula com uma listinha de verbos especiais e, ouquei, pensei, né, pelo menos ele planejou umas coisinhas, porque ele me mostrou o planinho de aula dele. Aí fomos conversandinho usando os verbos que eu nem queria aprender de fato, mas tá valendo porque é coisa nova, tudo é prática, e ele passou a me falar partes do corpo. E eu tive que sair correndo pra pegar meu trem. Sem nem uma cópia do tal papelito da aula que ele tinha trazido. E me pediu pra estudar em casa? Oi? Eu não tenho cópia do seu material porque você não trouxe pra mim? Corri pra estação, mas antes ainda deu tempo pra ele me pedir pra mandar pra ele uma lista de palavras que eu quero aprender.

Aí ontem fiquei procurando figuras de partes do corpo pra eu completar os espacinhos: tão mais fácil. Imprimi. Escrevi um e-mail explicando de novo pra ele o que quero aprender. Com detalhes. Olha, o cliente vem aqui e ele vai me contar do acidente de carro que ele teve. Ele começa a historinha: estava na pista esquerda da rua tal e parei no farol, mas o carro que estava no cruzamento e virando pra minha rua passou num buraco e deu com a frente no paralama da minha van. Sei lá, inventei lá uma historinha e disse que há toda sorte de variedade, nego sendo atropelado, nego dado ré no carro do outro, furando o farol, nego não parando do sinal de pare, né?, não precisa ter muita imaginação. Pedi pra ele olhar as perguntas, nos tais arquivinhos, de número 1 ao caralhaquatro, com  o perdão da palavra, pra ele se situar. É isso que eu preciso saber porque os clientes vão ter que responder essas perguntas. Mas sério? Precisava? Fiquei pensando que era *ele* que tinha que fazer isso tudo. Não eu. Se fosse o caso de eu fazer uma listinha de palavras, eu faria e pegaria o dicionário e pronto. Nem pra dar uma olhadinha no material que eu dei pra ele? Ou pra dar uma googladinha pra saber o que um advogado que cuida de casos abc, como eu tinha contado pra ele, faz? Acho que todo o ponto de eu ter procurado alguém pra me ajudar se perde quando eu tenho meio que planejar a aula pra ele. Já fiquei virandos os olhos, né?, e o menino mais lindo do mundo dizendo que nenhum professor vai me agradar. Porque eu sempre vou querer que ele use o método xyz e faça talequal coisa. Mas nesse caso, diga pra mim se eu sou muito louca e estou viajando e sendo exigente além da conta. De repente, se mais gente me disser, aí terei que usar o fim-de-semana para uma profunda reflexão sobre mim mesma.

1.7.09

Dia 8 - Aí eu joguei pedra na cruz

E o servidor bichou de vez e todos - TODOS - os arquivos de todos os muitos anos de trabalho do meu tchefe se foram para o além. Não sabemos ainda se dá pra recuperar.  Coitado. Resolveu economizar quando um dos drives se fez defunto e agora. De modo que agora qualquer merreca de carta e cobertura de fax eu tenho que fazer como se nesse mundo não houvesse um exemplinho pra chamar de meu. Isso é pra aprender a não reclamar do ócio. Meu tchefe agora está na fase de urgência de ganhar dinheiro ou de preparar a cama pra deitar daqui a uns meses. E quer protocolar e protocolar e protocolar. Mas cadê as peças? Todas se foram. E quem vai digitar os modelinhos? Te dou uma dica: não vai ser ele. Hoje protocolei uma peça e meu chefe não sabia como que faz citação em outro condado. Tive eu que, super humilde, ouvir da empresinha que a gente contrata pra citar as pessoas. Aí ele diz: ué?, por xerife? Por quê? POR QUE pergunto eu, né?, e não é pra parte da citação, mas pra minha situaçã.

Minha primeira aula com o rapazinho que ensina espanhol foi ontem e, olha, estava um pouco despreparado. Eu sei que é dífícil dar aula particular: pra mim, muito mais difícil que dar aula pra grupo (e olha, tem gente no mundo blogueiro que sofreu com essa dificuldade minha e aproveito pra pedir desculpas: I sucked bad and it was totally my fault). Crio a carapuça e eu mesma visto. Tenho que fazer cópia de qualquer cheque pra um dia, quem sabe, colocar no programinha de contabilidade. O backup dele também não sei onde foi parar porque o computador não quis queimar nenhum dos backups em CD que eu faço todo fim de mês. Joguei pedra mas em seguida fui perdoada, porque atire a primeira pedra, etc., e essa semana tem feriado e vou sair mais cedo hoje pra uma festenha de trabalho do menino mais lindo do mundo. Fazendo colegas, influenciando estranhos e quem sabe, né?, vou ter um futuro sem o garoto de praia*. (Acho que pacto blogueiro não vale no feriado, né?)

P.S. Só quero avisar que eu sei que é cafona escrever coisas com @ no lugar de "a", ou chamar o chefe de tchefe ou garoto de praia. Eu não faço nem um nem outro na vida real. Só faço aqui pro caso do meu tchefe resolver me googlar de novo.

P.P.S. Tô super sentindo a pressão do pacto blogueiro e essa coisa do todo dia. Embora o Rafinha tenha sido deixado pra trás, comendo poeira, tô levando a sério, nén? Mas hoje, por exemplo, já deu pra ver que eu não tenho assunto. Portanto, favor deixar pauta nos comentários! :)

30.6.09

Dia 7 - Mimimi

Meu tchefe vai me pagar aulas de espanhol. Marquei com o professor e encontrei com ele ontem na Starb*cks em vez do escritório, pro caso dele ser um psicopata. Não era. Ele usa metodologia da Ber_li_tz (alguém já estudou ou deu aula lá? E sabe como é?). Um cliente reclamou que meu espanhol era fraco e eu contei pro meu tchefe, que disse que já tinha ouvido essa reclamação. Fiquei com vontade de mandar o cliente tomar no coo porque, né?, vai ser desagradável na casa da mãe joana. Eu expliquei pro cliente que eu sou brasileira e que me esforço com o pouco que aprendi sozinha. E mais do que dificuldade com o espanhol, tive dificuldade com o modo confuso que ele me explicou as coisas. Porque ele partiu do pressuposto de que eu soubesse coisas sobre o emprego dele só porque estavam na cabeça dele (isso me acontece de vez em quando: começo a conversa já da metade). E me explicou as coisas bem mais ou menos e parecia que eu era burra/não entendia o que ele dizia em espanhol.

Meu tchefe quis comparar o espanhol dele ao meu. Aí fiquei mais poota ainda. Parece que eu tô querendo contar vantagem e dar uma de inteligentona: nooooossa, autodidata!, sabe tudo! Eu sei que meu espanhol portunhol vai melhorar muito se eu tiver com quem falar e que vá corrigir meus erros e me ensinar muuuuuito vocabulário. Mas não dá pra o Beto Marc@ querer comparar o que ele fala com o que eu falo.  Olha. Ele quer formar uma clientela de falantes de espanhol, e põe anúncio no jornal dizendo que vai ser o representante da comunidade latin@. Pra falar qualquer coisa no telefone, ele me chama porque ele não consegue entender ou falar meia dúzia de palavras, ou seja, quem entrevista cliente e fala com cliente e manda cartinha, quem é? Eu dei (DEI) um livro pra ele estudar um pouco, ficou lá jogado por meses, peguei de volta. Corrigi vááááários modelos de cartas e coisas assim que tinha sido traduzidos com  BabelFiiish (que, gente, não funciona: tem que ser gente pra fazer tradução, tem que saber contexto e uso).

Quase falei pro meu tchefe ir peidar n'água também. Mas aí pensei melhor e resolvi pedir pra ele me pagar as aulas. Porque quando eu encher o saco definitivo do jeito garoto de praia dele, levo comigo meu espanhol. Aliás, estou bem perto de encher. Mas estou tentando pensar nos prós, só. Ignorar os contras, porque o mar não está pra peixe. De modo que começo hoje minhas aulinhas, depois de determinar que o professor não é uma ameaça à vida em sociedade.

29.6.09

Dia 6 - Livros que amei (ou não): Sem varinha

A Raquel que me recomendou esse livro. Demorei um pouco pra começar de vez. Eu tinha acabado de ler uns livros cheios de ação, com várias mudanças no enredo, surpresas, essas coisas que me fazem sonhar com lutinha de espada. Comecei a ler o JS&MN e pus de lado depois de alguns capítulos, pra ler alguma outra coisa que me tinha chegado da Amazon. Depois de uns dias desintoxicando, sem ler nada, voltei ao JS&MN. E aí só que entendi o estilo. Todo um outro ritmo pra ler esse livro. Tem que ver as horas num relógio de século XIX e ter paciência de dia de chuva. Só pra rir de mim comigo mesma, li alguns trechos com sotaque britânico. Tem notas de rodapé com historinhas deliciosas, às vezes até mais do que a própria história maior. E o inglês tem ortografia antiga. Todo mundo já falou isso, e eu vou ter que repetir. Parece Jane Austen. Com mágica. No final, eu perdi um pouco o pique da leitura e tive que tomar um fôlego pra recomeçar. Pensando bem, eu deveria ter ido de pouquinho, bem pausadamente. Não mais que um ou dois capítulos por dia. Mas minha impaciência não deixou e eu tive que ler montes toda noite e estragou um pouco a experiência. Esse livro é para os fortes, para as pessoas com alminha antiga, para apreciadores de chá com bolachinhas amanteigadas e badaladas bem lentas de um relógio de parede. Se pra você o tempo não para, dá pra esperar (muito) pelo filme, cujo script ainda está sendo escrito. 
Para saber tudo com muitos detalhes: Wikipedia e o sítio que promove o livro, que tem uns extras bem legais e ainda dá pra ver alguns trechos da autora pra ver se dá pra você encarar centenas de páginas daquele mesmo jeitinho. Também vi que tem em português, mas custa os olhos da cara.

26.6.09

Dia 5: Umas observações sobre morar aqui

O menino mais lindo do mundo às vezes se ofende porque parece que eu não gosto de nada daqui. É que as aves que aqui gorjeiam, não gorjeiam como lá e cismando, sozinha, mais prazer encontro eu lá. Mas também não é assim. Vou falar aqui de algumas diferenças que eu notei. Culturais ou não. Mas também, né, não é que eu conviva com milhares de pessoas. Só vou observando as pessoas ao meu redor, que são poucas. Então pode ser que as minhas observações sejam completamente furadas.
  • A primeira vez que eu tomei o café de água pra mim eu pensei: geeeente, é igual de filme. É assim mesmo!  Um pequeno baldinho de café aguado que você leva por aí. Xicrinha de café, aqui, é pra espresso. Mas quem é que vai tomar espresso quando se pode tomar chafé? Depois de um tempo me acostumei, mas agora estamos em busca de um coador e garrafa térmica pra fazer o que o menino mais lindo do mundo chama de "café real".
  • Não se come arroz como se fosse coisa de todo dia. Comem-se legumes, purê de batata. Super incorporei arroz às nossas jantas. E feijão. Não tem requeijão, mas a gente vai buscar lá na lojinha brasileira. Não tem pão francês e a mortadela daqui não é essa cocacola toda. E o café da manhã é de filme também. Ovo mexido ou frito, bacon, 10 panquecas com um xarope e muita manteiga. Geralmente não tem pão. Mas, sabe, eu gosto de comer ovo frito no café da manhã. Com torrada. E bacon. De vez em quando. Pronto, confessei.
  • As porções são gigantes. Segunda pesquisas, ao perguntarem quando é que se sabe que se deve parar de comer, americanos dizem "quando toda a comida acabou" e franceses dizem "quando estou satisfeito". O bom é que geralmente você vai levar comida pra casa.
  • No restaurante, o garçon já vai tirando o prato de quem terminou. Vai ter vez que você vai sobrar comendo sozinho. E assim que todo mundo termina, eles já trazem a conta no bolso, pro caso de você não pedir sobremesa ou café.  Da primeira vez, fiquei bem incomodada, achei que a garçonete estava sendo mal-educada. Ou seus companheiros de mesa vão pedir a conta correndo também.   Ficava espantada, coisa de choque cultural mesmo.  Eu tive a sensação de que estava sendo apressada.  Não teem aquele período em que a gente vai tomando café bem devagarinho e continua conversando no final. Mas nem, depois me explicaram que é assim mesmo.
  • Aqui não tem essa coisa de... sabe quando você começa a trabalhar num lugar novo? E as pessoas te convidam pra ir almoçar pra você não ter que ficar sozinha? E te falam oi e dão uma passadinha na sua mesa pra saber se está tudo bem? E já perguntam sobre tudo e você já começa  dar conselhos sobre a vida amorosa dos coleguinhas? Aqui não rola. Em compensação, acho ótimo também. Porque assim posso super não interagir e ninguém acha estranho.
  • Se você faz um favor pra alguém, uma gentileza qualquer, as pessoas ficam incrivelmente agradecidas. Como se gentileza fosse uma estranheza. A cultura do cadum-cadum é tão forte, que realmente as pessoas se espantam quando a gente se dispõe a ajudar com os problemas dos outros. Eu falo sempre que tem ajuda "à brasileira" (leia-se: de host cultures) e à americana. A diferença que eu sinto é mais ou menos assim. Um americano diria: leia as instruções/google. Um brasileiro diria: é assim que eu faço e vou te mostrar/olha aqui os linques que eu achei sobre isso. Não é que seja ruim. Ajuda de brasileiro é detalhada, mas uma pessoa mais independente (e esperta) é perfeitamente capaz de descobrir coisas por si só sem ter que ter ajuda "para crianças". Então ninguém vai te ajudar como a gente esperaria, mas por outro lado, ninguém espera receber ajuda também, porque não é obrigação social ser esse tipo de solícito/gentil. Meio que as pessoas esperam que você vá dizer não, enquanto que a gente espera que vão dizer sim ou ter uma desculpa muito boa pra negar ajuda.
  • No geral, acho que as pessoas têm mais dificuldade de improvisar. Havendo instruções ou um passo-a-passo, vão bitolar naquilo ali. Por exemplo, com receita. Geralmente eu leio mais ou menos e faço como entendi, substituo ingredientes, corrijo alguma coisa que acho que não está dando certo. Aqui parece que rola meio aquele desespero de seguir a receita palavra por palavra.
Só consigo lembrar disso por enquanto. Depois vejo se lembro mais.

25.6.09

Dia 4 - Duas receita bem facinha pras minha amiguinha lá de casa


Pensei especialmente no Rafa. O Rafa veio me visitar aqui no ano passado e eu falei pra ele que ele podia pedir qualquer comida que eu fazia pra ele. E ele pediu moqueca porque achou que era complexo. Rerrê, Rafa, te enganei. Moqueca é delícia, mas é super facinho de fazer. Hoje as receitas não são de moqueca, mesmo porque já ensinei o Rafinha a fazer numa conversinha de 1 minuto no Gemeio. Eu sei, você não consegue mais aguentar a expectativa! Mas que receita é essa?, pergunta-se, impacientemente. Calma, pequeno gafanhoto. Passinhos de bebê na arte de impressionar as visitas.

Receita pra dummies N.º 1: Carne de Panela. De pressão. Deixei o "de pressão" de fora do nome porque sei que é que nem cuca malvada e o povo se pela de medo. Ontem à noite a janta foi muito sucesso. Eu sou tão palmirinha, que usei receita da anamaria que eu vi no saite. E agora fui googlar de novo e não acho de jeito nenhum. Mas ó. Fácil mesmo, tá?

É assim, ó. Na panela de pressão, você mistura os ingredientes abaixo e cozinha por 1/2 hora.
  • 2 latinhas de cerveja;
  • 1 lata de molho de tomate e a mesma medida de água;
  • 1 pacote de sopa de cebola em pó; * e
  • 1 kg de carne (pode ser até músculo) cortada em cubões.
E receba os parabéns das visitas.

* (Nesse ponto você vê se está bom de sal. Se tiver pouco, ou você põe mais sopa de cebola em pó ou põe mais sal. Mas acho que não vai precisar).


Ai, mas Ioney, eu sou super dã, me explica melhor? Explico, flor do dia. Explico porque um dia eu sofri também com a minha inguinorância e compreendo sua dor. A gente olha a carne e vê se está bem vermelha. Vou ter que admitir que eu não tenho idéia de que carne é qual. Tipo, o que é patinho? O que é coxão mole? Só sei que eram essas que minha mãe me mandava trazer do açougue quando eu era pequenina. Então tudo que tem a ver com corte de carne, eu pergunto pra minha mãe. Ou pro meu irmão.Se a carne estiver ficando meio marrom, vai dar ãrgui e você não vai nem querer comprar.

Pra panela não explodir na sua cara, basta você prestar atenção em 2 coisas: não encher mais da metade da panela e ver se o buraquinho da tampa não está entupido. Tá tudo bem? Tampa a panela de pressão, põe no fogo alto. Quando começar a fazer tchi-tchi forte, conta uma meia hora. No fogo baixo (ou médio, o Binho me disse nos comentários). Praqueles que ainda não descobriram que a panela de pressão é sua amiga, explico como faz pra ver se já está bom. Coloca a panela na pia, joga água da torneira em cima até a pressão sair toda. Dá pra saber quando saiu a pressão simplesmente porque você vai tentar abrir a panela e vai conseguir. Cabou. Sério. É só isso mesmo.

Como eu invento moda, coloquei alho (inteiro: tipo uns 4 dentões) e pimenta caiena em pó. A receita pedia cerveja preta, mas eu coloquei cerveja normal mesmo. E achei que podia colocar menos água ou até mesmo nem colocar água. Pra engrossar o caldinho, eu separei um pouco com a concha, botei numa vasilha, e peneirei (pra não ficar bolotas) umas 2 ou 3 colheres de sopa rasas de Maizena. Não exagera na Maizena porque estraga mes-mo se colocar muito. Enquanto isso, a panela destampada estava no fogo bem brandinho. Misturei a Maizena até não ter mais aquelas bolinhas brancas e coloquei de volta na panela, com fogo baixo até fazer borbuia. A gente fez purê de batata com alho fritinho e cozinhamos vagem (espirra um limão, põe sal, pimenta-do-reino: lamba os beiços). Dá pra umas 4 pessoas normais. Ou seja, nenhuma que coma que nem o nosso roomie (ói o cotovelo, zenti).


Receita pra dummies N.º 2: Caldinho de Feijão
  • 2 xícaras de feijão cozido;
  • umas 3 ou 4 fatias de bacon (que não sejam muito grossas);
  • um punhadão de salsinha picada (ou coentro, pra quem gosta).
Fico com muita raivinha quando as receitas começam assim: 2 xícaras de chá de feijão cozido. Sem explicar comafas. É assim: ou você cozinha o feijão na panela de pressão (ai, ai, tratamento de choque hoje, quei?) por 15-20 minutos ou coloca de molho por hoooooras e cozinha na panela normal e sem graça por, tipo, horas também. Pra quê? Na panela de pressão, vai rapidinho.

Mas, Ioney, eu nunca fiz feijão na vida! Ouquei, eu te levo pela mão. Assim, ó: escolhe no supermercado o pacote que tem feijão mais claro. Se estiver meio murcho e quebradiço e escurão (eu uso o feijão de São Paulo, o carioquinha), não curto. Aí em casa você separa tipo 2 ou 3 xícaras de feijão e escolhe (ou seja, tira tudo que estiver feio, furado, quebrado, esquisito). Lava e põe na panela de pressão com água suficiente pra cobrir e ainda deixar uns 2 dedos de sobra. Quando começar a fazer tchi-tchi forte, abaixa o fogo e espera uns 15 minutos. Vê se está bom. Mas hein? Vai estar bom se você abrir a panela e pescar um feijão de lá de dentro com uma colher, com cuidado pra não queimar a mão e a cara com o bafão quente que sai da panela quando você destampa. Se o feijão estiver maciinho, você venceu mais esse desafio da culinária brasileira. Se não estiver, tampa de novo, fogo alto, espera fazer tchi-tchi, fogo baixo, espera mais uns 5 ou 10 minutos. Ah, o caldo do feijão só fica grossinhodiliça no passo posterior. Quando você olhar praquele feijão cozido na panela, vai ficar com pena de quem for ter que ingerir aquela água suja. Não se preocupe, não está suja de verdade. É assim mesmo: dãããããããã.

Aí ou:
  1. você vai fazer feijão normal (nesse caso: frite alho amassado num fiozinho* de óleo ou azeite, coloque o feijão com a água do cozimento lá, 1 folha de louro, fogo alto até fazer borbulha, abaixa e espera apurar o caldo. Se não tiver saco de esperar muito, amassa com a concha um pouco do feijão cozido lá dentro e espera um pouco); ou
  2. vai fazer essa sopinha mágica.
*Fiozinho: Com pouquinho óleo saindo da lata, conta 3, 4 segundos.

Se escolher a opção 2, texplico. Bate o feijão cozido com  a água no liquidificador e espera um pouco com ele lá. Começa com o fiozinho bem inho de óleo na panela fundinha e coloca bacon cortado em pedacinhos bem miudinhos. Frita os coisinhos até ficarem tostaditos (eles encolhem, quei?, e soltam gordura). Ni que você está esperando os coisinhos ficarem tostaditos, enquanto estiverem ali no meio do caminho, coloca alho aos pedações. Eu sempre taco alho mesmo. 3, 4, 5 dentões. Põe sal ou talvez até um cubinho de caldo de carne, uma folha de louro, se quiser, e espera. Fogo alto até borbulhar. Se quiser mais grosso, abaixa o fogo e espera com a panela destampada. No fim, coloca salsinha picada. Põe numa xicrona de sopa, se enrola na coberta e vai ver tevê. Em vez de bacon, pode usar bacon de peru, também, mas fica meio quebradiço e não dá tanto gosto. Aí eu completaria com um caldo de bacon, tomando cuidado com o sal.

Será que deu pra entender? Se não deu, me pergunta e eu explico.

24.6.09

Dia 3 - Lição No. 20 - O que é óbvio assim deveria ser

Acontece muito, sabe? Até comigo e não faz muito tempo. Meninas ficam bravas e fazem bico. É fato. O bico cresce à medida da ignorância (masculina) da obviedade. Mas não é porque nossos lábios têm músculos mais preparados para o movimento bical. É que a gente tem mais bom senso.

Vou dar um exemplo bem bobinho. Era uma vez, o menino mais lindo do mundo resolveu ir ni bar. Antes de sair ele me disse que ia ni bar mas que logo-logo voltava pra casa. Isso era, sei lá, à tardinha, umas 6 da tarde. Você (não, uma menina pensa): logo-logo é umas duas, três horas, certo? Já dilatando o prazo pros padrões masculinos. Então a menina pensa: não vou nem comer porque vou esperar pra jantar e tal. Aí o logo-logo vira umas 6, 7 horas. A pessoa volta de madrugada pra casa. E você está de bico no dia seguinte, mas o hominho dã realmente não entende por quê! E fica bravo! Agora ele não pode mais sair quando quer? Não pode mais fazer programinhas de solito? Tem que ficar na minha cola? E você? Você é livre pra fazer o que quiser! Por que não saiu blablablablá e vira aquela vozinha de adulto falando com Charlie Brown. Pomba Gira quer super se manifestar em mim porque, sabe?, pra que mudar totalmente o foco da coisa? E colocar palavras na minha boca? Não, senhores dãs, não é nada disso. Cada um com seu cada um e pelamordedeus se você me acusar de querer te cortar e cortar seus programinhas. Vai ni bar, vai tocar violão na casa dos calega, vai aonde quiser e a que hora desejar. Não me importo e nem te impeço. Porque, sim, é verdade, eu também faço coisas de mim pra mim. E não de mim pra você. Mãs. Se o mocinho dã diz "A+B", menina espera "A+B". Se virou "A+C", a menina pede a cortesia de um aviso. Não precisa ligar. Pode vir por torpedo. Desde que avise. Porque se a mensagem era uma, a gente faz planos. A gente pensa que de "A+B" vai seguir "X". E daí não segue. E a gente fica meio P.

Outro exemplo. Porque tem que usar exemplo pra coisa ficar clara. Só explicação teórica não faz efeito na educação dos dãs. Vocês começaram a namorar, mas o tempo pra conviver é curto. Então tem ali o fim-de-semana pra fazer coisas juntos e cabou. E o mocinho dã tem seu amiguito, né? Que é super muito colado com ele. E por quem você nutre ou não simpatia. Porque não vem ao caso, já que você não quer fazer passeios de namoradinhos a 3. Aí vocês resolvem ir, digamos, almoçar. E você crente que finalmente!, chegou o fim-de-semana e você vai ficar de parzinho com o seu mocinho. Mas ele é dã. E sem nem você saber, convidou o amigo pra ir junto. Ni que você faz bico e ele não entende nada. Mas, gente, nesse caso, é preciso explicar alguma coisa? Precisa. Porque essa obviedade passa batido pelo mocinho dã. E vou te dizer, viu?, nesse caso específico, já vi mais de um mocinho não entender nada, então acho que é epidêmica essa cegueira. Uma coisa de louco.

(Com voz de locutor empolgado de rádio de interior falando de promoção) Mas agora você, hominho dummy, está mais do que preparado para vencer mais esse obstáááááculo! Porque agora você sabe que, havendo bico, há problema.
  1. Seja claro.
  2. Pergunte antes de fazer coisa errada (pra evitar de fazer e assumindo que muita chance de você fazer coisa errada).
  3. Pergunte depois de fazer coisa errada (se você ainda persiste na ignorância) o que foi que aconteceu pra causar a biquite.
  4. Peça desculpas.Sempre. Nem importa que não ache que tenha feito nada de ruim. Rerrê.
  5. Aprenda sua lição.

(aplausos)

Obrigada!

P.S. Salvei todas as lições do túmulo internético, menos uma. A Lição No. 4. Se você por um acaso dos acasos me lia naqueles velhos tempos e tiver aí com você me manda e-mail: menina.didentro arroba gmail etc. Também consegui salvar as historinhas que eu escrevia, mas a coisarada do blogue principal, acho que era uma vez mesmo.

23.6.09

Nussa

Apagaram meu blogue antigo. O que era todo bonito, com fotinhas e diferentes seções. Eu salvei umas partes, mas não tudo. Devem estar no computador de casa (leia-se, o do meu pai). Fiquei triste mesmo. Tinha tudo desde o comecinho lá. Desde 2001. Agora não tem mais. Minha historinha internética apagada pra sempre. Tô tipo de lutinho. Sério mesmo. É muito bobo estar de lutinho por isso?

Dia 2: Os Zecas (da novela) da vida

Sempre começo o dia lendo o blogue da Mary W. Que eu já falei pra ela que é o melhor blogue pra ler antes de começar a trabalhar. E semana passada ela contou a história sobre as aluninhas que copiam texto do Yah** Respostas na prova e que depois botam banca de "você sabe com quem está falando?". Tenho um cansaço infinito, sabe? Dessa confusão. De gente que acha que está na faculdade ou na escola ou no instituto de línguas pelo diploma ou certificado e que não entende qual é o ponto de todo o percurso pra chegar até lá. Cansa.

Era uma vez, eu dava aulas nessa escola de línguas. Que eu amo muito porque tudo o que eu aprendi sobre dar aulas de inglês eu aprendi bem e aprendi lá. Voluntariei aqui como professora e não passei apertado com o treinamento que eu tive nessa escola Mas nem de longe: só tenho elogios. Mas voltando. Minha primeira turma. E aquele medo. A primeira aula não era de inglês, era de como encarar o curso. Cheia de atividades pras pessoas discutirem o processo todo. E aí chegava lá um ponto em que as pessoas tinham que debater se era verdadeiro ou falso que se esperava que elas estudassem. Aí um dos alunos pergunta assim: "Ué, mas tem que fazer lição? Eu pago esse dinheirão e tenho que estudar em casa?". Eu não sei realmente o que é que passa pela cabeça das pessoas. Qual é a mágica em que elas acreditam quando fazem matrícula. Aí foi, né?, que esse aluno não deu pé e ia repetir e disse pra coordenadora que eu isso e eu aquilo. E abandonou o curso.

Teve um outro aluno que tinha que escrever uma dissertação. A gente fazia a preparação durante as aulas. Eles discutiam o assunto: um lado defendendo um ponto de vista, o outro atacando, coletando argumentos. Apresentei a estrutura. Cada semana, eles me traziam um rascunho da dissertação e no dia da prova, era só trazer pronta. Durante todo esse tempo o menino vinha com os rascunhos e eu comentava com ele, anotava nas margens, dava sugestões. No último dia, ele trouxe uma dissertação massa. Muito mesmo. Que não condizia com os trabalhos anteriores. Googlei uma frase de cada parágrafo e, surpresa!, achei. Anotei todos os linques. E ele dizendo que não, que não tinha copiado. E, oi?, tô falando de adultos. Pagando de seus próprios bolsos, hein?

Não sei se fiquei fora do tempo, se no meu tempo também era assim. Mas eu me pergunto sempre pra onde esse mundo vai.

22.6.09

Dia 1

Pra ver se a coisa vai, fiz um furo no dedo do lado de cá, em Filadélfia, meu amigo Rafinha fez do lado de lá, em São Paulo e, bem nãrdimente, a gente passou o sanguinho nos nossos respectivos monitores. Fogos de artifício e luzinhas piscantes se acenderam e muita mágica aconteceu, arebaguandi. O pacto blogueiro que a gente fez começa hoje: um post por dia útil (o dia: não o post) por um mês. Não vale post tweetado. 1 dó-ré-mi: JÁ: tá valendo.

Meu amigo Rafinha, eu nem lembro quando foi que eu o conheci. Capaz de achar quando foi revirando arquivos do blogue. Meu amigo Rafinha é meu único amigo internético que virou de vida real. O único que eu fiz pelo blogue e que ainda é meu amigo mesmo pra sempre-toda vida. Mando um beijo pra ele com essa declaração de amor.

* * *

Então minha primeira contribuição ao pacto vai ser "Meu Querido Reader". Aqui só com diquinhas de não ler, só de ver. E babar.

P.S. Só eu cansei da Dona Norminha? No começo era engraçado e a música orna, mas preciso mesmo ver a Dona Norminha todos os dias? E o Raul Cadore? Agora está mimimi porque está pobre fica saudoso da vida que tinha, cheio de remorso. Remorso nada, que você não me engana, Raul! Tá assim porque se ferrou.

11.6.09

Espinhos e Ossos, uns etês com cara de cachorro e um bicho que anda no tempo

Ontem fiquei acordada até quase 1 da madrugada porque simplesmente não conseguia parar de ler meus novos livrinhos nãrdis. Li umas críticas que comparam essa série àquela do GRRM. Eu amei os livros do GRRM. Amei de ver coraçõezinhos chovendo sobre minha cama, em câmera lenta, enquanto eu lia o livro. Mas acho que gostei ainda mais dessa série, que se chama The Kindgdoms of Thorns and Bones. Coraçõezinhos chovendo e violinos tocando. A começar que já está toda terminada e eu não tenho que ficar esperando o escritor resolver suas questões com as musas inspiradoras. Não tenho ficar pensando se elas vão chegar, a que horas vêm, se estão dispostas a colaborar, se o livro vai sair em 2009 ou 2000 e lá vai pedrada e se o fulano vai estar vivo pra terminar a história. A série está toda pronta. Segundo, que a história dá tantas voltas e tão surpreendentes, que eu não sei qual é o desfecho da história e não faltam nem 15 páginas pro fim do último livro. Eu não sei pra quem torcer! Eu acho que vou torcer pra um e descubro outra pegadinha e começo a torcer pra outro e por aí vai. Cada capítulo segue a história de um núcleo de personagens e os núcleos às vezes se intersectam (tipo novela da Globo, quando o núcleo da Índia encontra o do Rio -- rerrê). Você se envolve tanto na história que não quer mudar de capítulo, mas quando começa o próximo, não quer mais que ele acabe e ele sempre acaba de modo que a pulga sempre esteja atrás da sua orelha.

Basicamente, é a história desse mundo medieval (quase sempre, né?, é medieval) em que há uma situação tumultuosa na corte de William Dare, em Crotheny. O herdeiro do trono é um príncipe "tocado pelos santos" (isto é, bobinho) e o rei, com a ajuda do irmão, tenta manipular a igreja e os aliados políticos pra fazer com que as filhas sejam incluídas na ordem de sucessão. Enquanto isso, monstros de lendas e profecias estão renascendo e matando as pessoas, num mundo que não é só habitado por pessoas humanas, e uma floresta "encantada" está morrendo. A fronteira entre o crível e o incrível, entre o mundo dos mortos e dos vivos, entre o bem e o mal e o pagão e o sacro está cada vez ficando mais tênue. A gente vai acompanhando uma das princesas e sua amiga e dama de companhia, o protetor da floresta, um mocinho que estuda línguas e está indo virar padre, a rainha e seu cavaleiro, e os mistérios vão se revelando porque eles também não têm idéia do que está acontecendo. Não sei descrever de modo que se faça imperativo que você leia esses livros. Quando for comprar, compre todos de uma vez porque você não vai querer esperar pra terminar a história. Ah, as descrições! Olha que bonito:
"His thoughts began to lose their sense as the dreams hiding in the green began to tiptoe into his head."- The Blood Knight
Sério. Elas não enchem o saco. Tem umas cenas de lutinha que eu pulei, confesso. Em uma passagem, o GK descreve uma música tão bem, mas tão bem, que parece um filme com trilha sonora, chega me deu aperto no peito. É, sim, eu sou super nãrdi coração de manteiga. Só digo uma coisa:


Pra saber que livros eu vou ler de fantasia ou ficção científica, eu fico fuçando as listas dos ganhadores dos prêmios Nebula e Hugo. Porque só sei que nada sei sobre esses gêneros literários, então começo por aí. Daí peguei A Fire Upon the Deep. Sabe quando você começa o livro meio sem vontade, mas esperando que vá se empolgar? Então, não me empolguei nunca. As idéias são tão legais, mas o estilo do autor não deu liga comigo. A galáxia é divida em camadas. A fatia mais profunda não permite o uso de tecnologia. Sua nave espacial vai ser uma porcaria lá. Num laboratório, uma ameaça nasce através de um experimento. Uma nave cheia de cápsulas com crianças dormindinho pra suportars longas viagens vai parar num mundo de baixa tecnologia, medieval, dominado por esse etês que são tipo cachorros, que pensam em matilha. E que têm duas facções lutando pelo poder. Só dois humanos sobrevivem a essa fuga, duas crianças e cada uma é levada por uma facção. Enquanto isso, na Sala de Justiça, uma expedição é montada pra ir resgatar o menino, que eles acham que é único sobrevivente nesse planeta. Ele vai contando através da net (oi, internet galática) que esses cachorros são bonzinhos, mas que são muito atrasados e que eles precisam de ajuda pra desenvolver tecnologias pra lutar contra os cachorros malvados. Aí cansei. Li tudo, mas não vou contar tudo porque, sabe?, não tô querendo. Se quiser, pode ler tudo sobre a história na Wikipédia.

Mãs... pra compensar, fiquei super obcecada com Hyperion e The Fall of Hyperion (tem linque quando você lê a entrada na Wiki). Começa com um pessoal numa nave indo pra Hyperion fazer uma peregrinação pra ver o Shrike (que é um passarinho de bico duro, literalmente), esse monstro na capa do livro. Entre eles, um espião. Tchãnãnanã. Tem toda uma religião ligada ao Shrike, lógico. Cada membro da expedição conta a história do motivo pelo qual ele está fazendo a peregrinação. E, lógico, fica por aí mesmo e acaba o primeiro livro e você ficou só sabendo do passado e quer saber de tudo, tudo, tudo. Então tem que comprar o conjuntinho. Na sequência e você fica sabendo de mais detalhes da coisa toda. De como a Hegemonia, esse monte de mundos sob mesmo governo (aconselhados pelos TechnoCore) têm que lutar contra os Ousters e a relação que a peregrinação tem com a possibilidade de vitória. Ai, gente, é muito legal. Tem andróide com personalidade de Keats, o poeta, tem a Terra que já foi pra cucuia, tem viagem através de portais. Enfim, tudo de que nós, os nãrdis, gostamos. Tem mais dois livros da série que eu estou economizando: Endymion e The Rise of Endymion.

É, eu realmente deveria escrever mais. Depois de um tempo, acabo esquecendo os detalhes da história e fica difícil de contar aqui.

P.S. Vi que tem tudo no 4shared, em inglês.